segunda-feira, 21 de junho de 2010

nostalgia

Pequenas rosas vermelhas para você menininha azul. A lua descia crua, e eu ali sentado desde o sol crescente na varanda, o que mais poderia fazer? Me recordo com nostaugia, saudade também, porém creio que nostalgia seria mais adequado, para mim você sorria, gentil, alegre, sentia de cheirio de chuva de outono, nostalgia, nostalgia, teus cabelos inquietos acariciavam meu rosto, mas ali, só conseguia sentir o frio que aquela lua me trazia, pelo menos se aquilo ali eu sentia, foi por ti. Ouvia passos, passos ao lonje, que chegaram mais perto depois de um tempo, minhas boxexas agora se repuxam em um sorriso, um sorriso educado, porém covarde, não ao certo um sorriso, foi mais como uma máscara, então, ele chegou, seus lábios cheios responderam por meu sorriso, com sua voz doce, que escorria suave, nas tardes em que juntos tocavamos piano, disse-me para segui-lo, senti pesar em seu sorriso, não parecia mais o mesmo, o que houve contigo irmão? Preocupado, eu o segui, nossos passos foram apagados com o tempo, aquela casa, ainda posso sentir o cheiro verde marfim que vinha de lá, quando penso em você, lembro-me, daquele país, da grande sala em que tu me ensinou a ser quem sou, das tuas melodias, e notas musicais, de como entregavas uma rosa vermelha a cada dia em que completavamos mais um ano, dizia-nos que eramos meninas azuis, sua cor preferida, foi sua cor preferida, azul agora, não tem cor.
Ainda caminhando pelo corredor daquela casa, ah, aquela casa, tantas lembranças, sinto os sabores de nossas brincadeiras quando criança, o cheiro de nossos risos, o cheiro de nossas lágrimas, o cheiro de nossa musica, sempre musica, desde pequenos. Caminhavamos lentamente por aquela casa, o som de nossos passos eram ocos no assoalho, eu olhava em volta, via aquela parede, que um dia foi cheia de vida, agora, soava póstuma para mim, entramos em uma sala, oh não, não posso entrar aqui, quantas lembranças, seu orgão, ele era lindo, como você, assim como você, deste orgão nesta vida nunca mais sairá musica alguma, nunca mais se ouvirá outro som, é triste, naquela hora, não tinha noção, queria ainda mais afundo á vida ser grande como você, queria que me ensinasses a ser grande, queria que como antigamente colocasse seus dedos em cima dos meus, me ensinasse novamente a produzir som do que naquela época, eu dizia ser um instrumento ingrassado, dificil de ser tocado, queria que tocasses o sax, tres, quatro, mil veses para mim ouvir, queria finjir novamente que não havia entendido, só para ver você dizer naquela lingua dificil de aprender, que nada mais rege a vida do que a musica, e que sem musica, só haveria loucura, queria muito você aqui, nostalgia. Passamos finalmente por aquele corredor, e encontramos uma porta, aquela grande porta, mogno, verde escura, onde você guardava todos os "instrumentos proibidos" que nunca podiamos encostar, em que você, nos dias de frio nos acolhia em sua cama, todos nós, e tocava seu piano para nós durmirmos, que chorava em silêncio pelo pesar que sentia pela grande e única briga que tive com meu irmão, pelo corte com a faca, perdão. Ele passou a mão pelo mogno, encostou sua cabeça na fexadura, ajoelhou-se, eu estava confuso, não estava entendendo o que estava acontecendo, muito menos o porque de estarmos tão tristes naquela casa que antigamente era tão musical, ouvi seus soluços, queria colocar a mão em seu ombro, e perguntar-le o porque de estar assim, mas ainda não tinham se passado os tres anos, que logo depois, nos desculpamos pela grande briga, portanto, de minha boca não saiu nenhuma palavra, ele abriu a porta, entramos.
Desde aquele momento, o momento em que ele abriu a porta, desejei nem ao menos ter existido, ou pelo menos nem ao menos ter entrado naquele quarto, queria sumir, desaparecer, em meu pequeno coração, eu sintia uma dor, que não é possivel esplicar, nunca irei sentir isso antes, dor, solidão, desespero, raiva, oh meu deus! Quem feis isso com você? Meu coração me dizia para ir correndo, para abraça-lo forte, e me certificar que aquele corpo desacordado, deitado na cama, com um ar solitário, vazio, estaria apenas dormindo, porém, não foi isso o que eu fiz, minhas pernas não me obedeciam, minha boca não se abria, oh meu deus, que dor era aquela que eu sentia, eu só queria por um fim em minha vida, mas, ali, parado, eu tremia, senti escorrer, uma, também tremula, lágrima clara e vazia, pela minha boxexa, que de algum jeito eu sentia, que nunca mais iria ver um sorriso.
Eu juro, juro por aquele dia, pelo seu corpo desanimado, deitado sozinho, que nunca mais irei sorrir como antes, juro, que seus custumes vão ser seguidos, nesta familia sua musica será lembrada, juro que meus olhos, os olhos de todos nós não terão mais o mesmo brilho, juro que, nesta familia, cada nota que for tocada, vai ser a você, juro, que você será eternizado, e juro, que a cada batimento cardiaco que eu tiver, vou dedica-lo a você, sei que está aqui, e sei, que eu vou ser grande, vou ser grande igual você, e nas nótas de qualquer partitura que eu pegar, ali você vai estar, uma rosa vermelha eu deixei em seu tumulo, uma rosa vermelha, para meu avô azul.

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